Quem inventou a ecobag ou a campanha saco é um saco pode ter sido um intelectual, mas certamente não foi uma dona de casa.
Estou me preparando para ir ao supermercado. Semana passada, o Pão de Açucar não forneceu sacolinha plástica pra embalar minhas compras, mas três caixas de papelão. Foi prático transportar, mas aqui em casa as coisas ficaram mais difíceis.
Não sou muito fã de caixas de papelão, sempre acho que elas são bom abrigo para ovos de insetos e eu tenho pavor de baratas. Quem já fez mudança usando caixas de supermercado sabe que depois vai ser obrigado a dedetizar.
Moro num apê. Tenho pequenos cestos de lixo nos banheiros e um sobre a pia. Todos recebendo lixo não reciclável. Lixo que termina no lixão da estrutural ou num aterro. O nosso lixo úmido urbano não vai para compostagem.
Separamos aqui no prédio os materiais recicláveis: latas de alumínio, garrafas pet, papelão e papel. Mas eu nunca vi um caminhão 'seletivo' passar. É o velho problema do lixo separado na fonte e misturado no trajeto.
É claro que a dona de casa não quer ver sacos plásticos entupirem bueiros ou pararem no estômago de animais marinhos. Então a gente tenta se informar das opções. Encontrei num site a recomendação que compremos sacos plásticos oxibiodegradáveis. Já ouviu falar? Eu não. Por que então esses sacos não estão sendo usados para embalar as compras no supermercado? Até agora, acho que só o supermercado saiu ganhando em não fornecer a tão temida sacolinha...
É claro que o consumidor deve fazer a sua parte, mas qual a contrapartida? Cadê a obrigação da logística reversa? Quando os fabricantes vão ser obrigados a recolher pneus, pilhas e lâmpadas fluorescentes inservivéis? Quando os governos vão finalmente desativar lixões e instalar aterros sanitários e equipar a frota de coleta de lixo com caminhões seletivos? E as políticas para viabilizar a reciclagem? E o investimento em pesquisa e desenvolvimento?
Esse ano saiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. É bonita e, se implantada, vai mexer no bolso de pessoas jurídicas e governos. Aí quem sabe, né? E nós, ambientalistas, podiamos parar que consumir tomate orgânico embalado em bandejinha de isopor e de comprar tecnologia descartável. Que tal?
domingo, 7 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Amores finados
Não esperem ouvir-me fazer apologia do desapego. Eu amo tudo o que se pode tocar como uma beata ama a Deus. Amemos todos como quisermos.
Não esperem de mim que eu não sinta ciúmes ou medo. Eu os sinto e os declaro, sem nenhuma vergonha. Meu corpo é de carne, um dia se acabará.
Assim eu digo: jamais amei João como amei Pedro, nem Pedro como amei Carlos, nem Carlos como amei Roberto. Meu amor não flui. Ele nasce e morre, nunca é amor reencarnado. Sempre é novo. Como o novo sol de um novo dia.
Um amor finito é o que tenho. Qualquer outro amor ainda que seja maior, não é o meu. Meu amor é de carne e tem apego. É enterrado em cerimônia ou cremado quando morre.
E se, por um mero acaso, meu amor renascer, será sem nenhuma poesia: como renasce um corpo morto no estômago de uma formiga.
Não esperem de mim que eu não sinta ciúmes ou medo. Eu os sinto e os declaro, sem nenhuma vergonha. Meu corpo é de carne, um dia se acabará.
Assim eu digo: jamais amei João como amei Pedro, nem Pedro como amei Carlos, nem Carlos como amei Roberto. Meu amor não flui. Ele nasce e morre, nunca é amor reencarnado. Sempre é novo. Como o novo sol de um novo dia.
Um amor finito é o que tenho. Qualquer outro amor ainda que seja maior, não é o meu. Meu amor é de carne e tem apego. É enterrado em cerimônia ou cremado quando morre.
E se, por um mero acaso, meu amor renascer, será sem nenhuma poesia: como renasce um corpo morto no estômago de uma formiga.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Pedra d'água
Meu amor é água cristalina
da pedra brota na pedra infiltra
mapa perdido da mina.
Suas botas duras pisam meu véu
enquanto ele pede chuva
às estrelas que caem do céu.
da pedra brota na pedra infiltra
mapa perdido da mina.
Suas botas duras pisam meu véu
enquanto ele pede chuva
às estrelas que caem do céu.
domingo, 17 de outubro de 2010
O relojoeiro ambientalista
No caminho da Chapada dos Veadeiros paramos pra almoçar em Formosa. Comida goiana e sobremesa numa dessas sorveterias tradicionais de cidade pequena, que vende até cigarros e aquele delicioso sorvete de limão que parece que você está comendo núvem.
Gente jogando dominó na praça da matriz. Dificuldade de dizer de quem é a preferência no cruzamento. Trânsito atrapalhado. Paralelepípedos. Calor. Movimento na rua do comércio. Menina de tenis no pé, carregando filho bebê. Estamos em cidade de gente altiva, mesmo que simples. Não há moribundos nos semáforos, velhos pedintes, bebados sem dente. Nada que denuncie pobreza de afeto.
Faz tempo que quero comprar um relógio de pulso. Então entrei na relojoaria só pra espiar, e uma figura simpatica me atende. Vejo um relógio pequenino, de metal e boa marca. Gosto dele, aponto. O relojoeiro abre a estante de vidro com chave e põe a pequena e delicada peça no meu pulso. Fica lindo. R$350. - Esse é ecológico, me diz o relojoeiro, vai durar anos. Quando riscar o metal, você manda polir.
Nesse dia eu conheci o relojoeiro ambientalista de Formosa.
Gente jogando dominó na praça da matriz. Dificuldade de dizer de quem é a preferência no cruzamento. Trânsito atrapalhado. Paralelepípedos. Calor. Movimento na rua do comércio. Menina de tenis no pé, carregando filho bebê. Estamos em cidade de gente altiva, mesmo que simples. Não há moribundos nos semáforos, velhos pedintes, bebados sem dente. Nada que denuncie pobreza de afeto.
Faz tempo que quero comprar um relógio de pulso. Então entrei na relojoaria só pra espiar, e uma figura simpatica me atende. Vejo um relógio pequenino, de metal e boa marca. Gosto dele, aponto. O relojoeiro abre a estante de vidro com chave e põe a pequena e delicada peça no meu pulso. Fica lindo. R$350. - Esse é ecológico, me diz o relojoeiro, vai durar anos. Quando riscar o metal, você manda polir.
Nesse dia eu conheci o relojoeiro ambientalista de Formosa.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Porcaria de diário
Querido diário,
Sinto-me como Avestruz Cabeça Enterrada. Eu que em fim via alguma coisa mais clara. E escolhi de novo o desconhecido. Agora terei que gastar quilos e quilos de energia pra me adaptar, pra abrir um espaço, pra respirar o ar fluido, de quem tem um metro quadrado de terra, que eu gaiatamente vendi... Continuo, me caro, ordenando o terrirório. Só que agora, não em 1:1.000.000, a proporção está invertida. Enxergo até as formigas do meu chão. Manja?
Sinto-me como Avestruz Cabeça Enterrada. Eu que em fim via alguma coisa mais clara. E escolhi de novo o desconhecido. Agora terei que gastar quilos e quilos de energia pra me adaptar, pra abrir um espaço, pra respirar o ar fluido, de quem tem um metro quadrado de terra, que eu gaiatamente vendi... Continuo, me caro, ordenando o terrirório. Só que agora, não em 1:1.000.000, a proporção está invertida. Enxergo até as formigas do meu chão. Manja?
sábado, 2 de outubro de 2010
Visita
Pensei vê-lo surgir entre a fumaça e a poeira
trazendo apenas um abraço e o sorriso aberto
Nenhum pedido de desculpas pela longa espera
Como a primeira chuva de uma nova primavera
Com sua chegada, eu esqueceria a seca
Arvores pingando verde doutro lado da janela
Pensei que era você cantarolando a melodia
Era chuva perfumada, primavera tardia
Era uma alegria no meu peito empoeirado
Era uma nova história que eu já merecia
Meu bem, meu amor, era você quem me sorria.
trazendo apenas um abraço e o sorriso aberto
Nenhum pedido de desculpas pela longa espera
Como a primeira chuva de uma nova primavera
Com sua chegada, eu esqueceria a seca
Arvores pingando verde doutro lado da janela
Pensei que era você cantarolando a melodia
Era chuva perfumada, primavera tardia
Era uma alegria no meu peito empoeirado
Era uma nova história que eu já merecia
Meu bem, meu amor, era você quem me sorria.
sábado, 25 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Eu morro, Philip Morris
Quando eu disse que sentia uma falta bárbara, ele repondeu:
- Ninguém merece sofrer... Fume, velha!
E eu fiquei lá segurando a vontade. E ainda estou. E continuarei a segurar até que finalmente acenda o primeiro cigarro de um novo maço de marlboro light box.
Será que perdemos pra sempre a batalha, velho?? :-(
...................
47 horas e 26 minutos sem fumar.
- Ninguém merece sofrer... Fume, velha!
E eu fiquei lá segurando a vontade. E ainda estou. E continuarei a segurar até que finalmente acenda o primeiro cigarro de um novo maço de marlboro light box.
Será que perdemos pra sempre a batalha, velho?? :-(
...................
47 horas e 26 minutos sem fumar.
domingo, 8 de agosto de 2010
Passagem
Quando me esgueirei pela fresta
Flutuei...
Só depois veio a queda
Minutos, dias, anos
A escorrer
Pelo vão da janela.
Quando pisei o chão
Ainda estava lá, no último andar
Prestes a me jogar.
Flutuei...
Só depois veio a queda
Minutos, dias, anos
A escorrer
Pelo vão da janela.
Quando pisei o chão
Ainda estava lá, no último andar
Prestes a me jogar.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O território do além
Não foi delimitado por guerras,
ou conflitos.
Nem por montanhas ou cursos de rio.
Não foi riscado em linhas retas
de capitanias hereditárias.
nem traçado em curvas de nível.
Não se inscreve em cartografias,
não tem relevo, nem biomas.
Não escorrega em chuvas torrenciais.
Não esconde aquíferos, nem minérios.
Não se exibe em vales ou montanhas.
Nenhum fóssil a ser descoberto debaixo do chão.
Não viu fogo, pedra ou lança,
nem arado ou chaminé.
Não tem lingua e nem bandeira, nem vestígio de tempo algum.
Não tem comitês deliberativos, fórum econômico, conferência das partes.
Não possui plano diretor, nem plano de bacia ou ZEE.
Dispensa um conselho de política com ampla representação setorial.
Não tem blackberry, video conferência,
nem aviões que explodem no céu.
Não tem GPS nem satélites artificiais.
Só almas penadas, espíritos, entes.
É o paraíso,
a quinta dimensão!
ou conflitos.
Nem por montanhas ou cursos de rio.
Não foi riscado em linhas retas
de capitanias hereditárias.
nem traçado em curvas de nível.
Não se inscreve em cartografias,
não tem relevo, nem biomas.
Não escorrega em chuvas torrenciais.
Não esconde aquíferos, nem minérios.
Não se exibe em vales ou montanhas.
Nenhum fóssil a ser descoberto debaixo do chão.
Não viu fogo, pedra ou lança,
nem arado ou chaminé.
Não tem lingua e nem bandeira, nem vestígio de tempo algum.
Não tem comitês deliberativos, fórum econômico, conferência das partes.
Não possui plano diretor, nem plano de bacia ou ZEE.
Dispensa um conselho de política com ampla representação setorial.
Não tem blackberry, video conferência,
nem aviões que explodem no céu.
Não tem GPS nem satélites artificiais.
Só almas penadas, espíritos, entes.
É o paraíso,
a quinta dimensão!
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